A citricultura brasileira enfrenta um per\u00edodo de grandes desafios, com doen\u00e7as, mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e a diminui\u00e7\u00e3o da vida \u00fatil dos pomares comprometendo a viabilidade econ\u00f4mica da produ\u00e7\u00e3o. Nesse cen\u00e1rio complexo, a busca por tecnologias que reforcem a sa\u00fade das plantas \u00e9 crucial. \u00c9 aqui que a N-acetilciste\u00edna (NAC) se destaca, oferecendo uma abordagem inovadora para tornar os cultivos mais robustos e produtivos.
Aumento da Resili\u00eancia dos Citros com a Mol\u00e9cula NAC: Detalhes e Resultados Promissores
A Dra. Simone Picchi, especialista em Pesquisa e Desenvolvimento da CiaCamp, liderou estudos que destacam o papel da N-acetilciste\u00edna (NAC) como uma solu\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica para a citricultura brasileira. A NAC \u00e9 uma mol\u00e9cula antioxidante que atua diretamente na regula\u00e7\u00e3o do metabolismo das plantas, fortalecendo seus mecanismos de defesa naturais e diminuindo o impacto do estresse oxidativo. Esta abordagem se mostra particularmente eficaz no combate aos desafios impostos por doen\u00e7as como o greening (HLB), causado por Candidatus Liberibacter spp., que afeta severamente o sistema vascular das plantas, comprometendo a fotoss\u00edntese e resultando na queda prematura dos frutos e encurtamento da vida produtiva dos pomares. Ao inv\u00e9s de focar apenas no controle direto do pat\u00f3geno, a NAC promove um equil\u00edbrio geral na planta, tornando-a mais vigorosa e apta a resistir a condi\u00e7\u00f5es adversas.
A efic\u00e1cia da NAC tem sido comprovada por resultados em campo. Em pomares comerciais nos estados de S\u00e3o Paulo, Paran\u00e1 e Minas Gerais, observa-se um aumento de mais de 200 caixas de citros por \u00e1rea tratada na safra 2024/25, em compara\u00e7\u00e3o com as \u00e1reas n\u00e3o tratadas. Ao longo de um per\u00edodo de cinco anos (2021-2025), plantas infectadas com greening e tratadas com NAC apresentaram um incremento m\u00e9dio de 19,1 toneladas por hectare na produ\u00e7\u00e3o, uma diferen\u00e7a not\u00e1vel em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s plantas sem tratamento. Al\u00e9m disso, a aplica\u00e7\u00e3o da mol\u00e9cula levou a uma redu\u00e7\u00e3o de at\u00e9 50% na queda de frutos e permitiu cerca de cinco colheitas adicionais em \u00e1reas manejadas com NAC. Enquanto as variedades precoces respondem mais rapidamente aos benef\u00edcios, as variedades tardias demonstram ganhos consistentes ao longo do tempo, com uma diminui\u00e7\u00e3o na severidade dos sintomas visuais da doen\u00e7a. Para pomares em fase inicial de desenvolvimento, o NAC se mostra um aliado essencial para a obten\u00e7\u00e3o de plantas mais saud\u00e1veis, produtivas e com maior longevidade.
A tecnologia NAC \u00e9 fruto de mais de duas d\u00e9cadas de pesquisas realizadas pelo Instituto Agron\u00f4mico de Campinas (IAC), uma institui\u00e7\u00e3o de renome na ci\u00eancia agr\u00edcola brasileira. A mol\u00e9cula \u00e9 patenteada e sua licen\u00e7a exclusiva \u00e0 CiaCamp, viabilizada pela colabora\u00e7\u00e3o com a Amazon AgroSciences, representa um exemplo not\u00e1vel de inova\u00e7\u00e3o que integra pesquisa p\u00fablica e iniciativa privada. Essa parceria resultou em uma solu\u00e7\u00e3o brasileira que est\u00e1 transformando a citricultura, promovendo maior produtividade, resili\u00eancia e sustentabilidade.
A introdu\u00e7\u00e3o da tecnologia NAC na citricultura brasileira representa um marco fundamental para o setor. Em um cen\u00e1rio de crescentes desafios fitossanit\u00e1rios e clim\u00e1ticos, a capacidade de fortalecer a planta de forma intr\u00ednseca \u00e9 mais do que uma solu\u00e7\u00e3o paliativa; \u00e9 uma mudan\u00e7a de paradigma. Ao inv\u00e9s de apenas combater os sintomas, o NAC atua na raiz do problema, elevando a resist\u00eancia natural das plantas. Essa inova\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 garante a sustentabilidade econ\u00f4mica dos produtores, mas tamb\u00e9m promove pr\u00e1ticas agr\u00edcolas mais conscientes e menos dependentes de interven\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas agressivas. A colabora\u00e7\u00e3o entre o Instituto Agron\u00f4mico de Campinas e empresas como a CiaCamp e Amazon AgroSciences serve de inspira\u00e7\u00e3o, mostrando como a ci\u00eancia e a ind\u00fastria podem juntas desenvolver solu\u00e7\u00f5es de impacto real para o agroneg\u00f3cio, pavimentando o caminho para um futuro mais pr\u00f3spero e resiliente para a citricultura brasileira.