Em uma iniciativa estratégica para a agricultura global, Brasil e Equador firmaram um pacto de colaboração técnica com o propósito de aprimorar geneticamente as bananeiras. O foco principal dessa aliança é o desenvolvimento de variedades do subgrupo Cavendish, popularmente conhecidas como Nanica, que sejam imunes à cepa mais virulenta da murcha de Fusarium, a raça 4 Tropical (Foc R4T). Esta doença, causada por um fungo específico, representa uma grave ameaça à produção de banana em escala mundial. O acordo foi selado em Brasília, no Palácio do Itamaraty, e envolve a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o Ministério da Agricultura, Pecuária e Pesca do Equador e a Associação de Exportadores de Banana do Equador (Aebe), com o objetivo de salvaguardar a bananicultura e assegurar a sustentabilidade da produção.
A Foc R4T é mundialmente reconhecida como a enfermidade mais destruidora para a cultura da banana, com registros de ocorrência em 17 nações da Ásia, África e Oceania. Embora ainda não tenha sido detectada em território brasileiro, sua presença em países vizinhos como Colômbia (desde 2019), Peru (2020), Venezuela (2023) e Equador (2025) acende um alerta contínuo para a bananicultura nacional. Esta praga integra o sistema de vigilância do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), através do Programa Nacional de Prevenção e Vigilância de Pragas Quarentenárias Ausentes, evidenciando a seriedade da ameaça. O fungo se propaga principalmente por solo contaminado, calçados, ferramentas, mudas de bananeira aparentemente saudáveis e plantas ornamentais que servem como hospedeiras.
A parceria estratégica entre a Embrapa e o Equador visa não apenas proteger a produção equatoriana, o maior exportador mundial de bananas, mas também fortalecer a bananicultura brasileira, que destina sua vasta produção de 7 milhões de toneladas anuais (dados de 2024 do IBGE) exclusivamente ao consumo interno. A validação de genótipos resistentes à Foc R4T em condições reais é crucial, especialmente para os produtores brasileiros que cultivam variedades Cavendish. Edson Perito Amorim, líder do Programa de Melhoramento Genético de Banana e Plátano da Embrapa, enfatiza que o desenvolvimento de variedades resistentes é uma questão de segurança nacional, pois impede a proliferação da praga e reduz o risco de sua introdução no Brasil. A Embrapa se destaca como uma das poucas instituições globais dedicadas à pesquisa e melhoramento de cultivares Cavendish resistentes.
A colaboração com entidades internacionais tem sido fundamental para o progresso das investigações brasileiras em busca de variedades de banana resistentes a doenças. Através da cooperação com a Corporação Colombiana de Pesquisa Agropecuária (AgroSavia), o Brasil confirmou a resistência natural de duas de suas variedades – BRS Princesa (tipo Maçã) e BRS Platina (tipo Prata) – à Foc R4T, colocando o país na vanguarda da América para combater essa ameaça. Adicionalmente, pesquisas em andamento com a Corporação Bananeira Nacional (Corbana), da Costa Rica, estão concentradas no subgrupo Cavendish, o mais popular globalmente. Silvia Massruhá, presidente da Embrapa, ressalta que essa colaboração internacional é vital para acelerar a criação e validação de tecnologias que salvaguardem a bananicultura em todo o mundo. A Embrapa, com sua expertise em melhoramento genético e desenvolvimento de cultivares adaptadas a diversas condições tropicais, unirá forças com o Equador e a Aebe para gerar variedades mais resilientes, promovendo a sustentabilidade da produção e a segurança alimentar. Além da Foc R4T, as pesquisas conjuntas também abrangerão o moko da bananeira, uma doença bacteriana destrutiva que já afeta o Equador e que, apesar de restrita ao Norte do Brasil, representa um risco de migração para outras regiões produtoras.
A colaboração entre o Brasil e o Equador na pesquisa de variedades de banana resistentes a doenças graves representa um passo fundamental para a proteção e sustentabilidade da bananicultura em ambos os países e em escala global. Ao unir o conhecimento científico da Embrapa com a experiência produtiva equatoriana, esta parceria visa não apenas prevenir a disseminação de pragas como a murcha de Fusarium (Foc R4T) e o moko, mas também desenvolver soluções inovadoras que garantam a segurança alimentar e a resiliência das cadeias produtivas frente aos desafios fitossanitários.